As palavras como
objetos físicos.


"O ponto de partida é sempre um poema. Palavras são
cápsulas mágicas que 
encadeiam dão sentidos muito
profundos a sentimentos e comportamentos que nem
sempre são facilmente catalogáveis. Ao transportar o
texto escrito para o mundo real, essa capacidade de
comunicação se amplia, imergindo o espectador em poesia,
que ganha corpo e presença. Minha missão é levar as
pessoas a esses lugares íntimos de
auto-imersão e contemplação empática."

 

Salve, Salve, 2016

Da série: Outros poemas-objetos

Composição em acrílico,
30cm x 30cm

 

Salve, Salve é uma re-leitura da bandeira brasileira, cujas formas alteradas e cores
corrompidas se traduzem no colapso institucional do país. Em vez do lema "ordem
e progresso" encontrado na bandeira original, o novo texto dá lugar ao "salve salve",
que oferece um duplo significado. Aqui, em vez do papel da exaltação, o lema não
passa de um pedido de ajuda.



 

Salve, Salve
 

Devolvam a minha terra.
A terra onde eu cresci com meus sonhos, onde me
tornei criança e depois adulta.
O chão onde cavei buracos por graça, ora para
esconder um tesouro, ora para ver a onda do mar
encher d'água.
Aqui aprendi a língua, aqui aprendi os gostos.
Devolvam a minha terra.
Minha casa onde eu me sentia em casa.
Como um pai imperfeito que ainda nos enche de
orgulho, eu recebia quem vinha de fora com uma dose
de cachaça e doçura.
Experimenta da minha terra, eu dizia.
Experimenta da minha terra e vê como eu sou sortuda e
mais feliz e mais exótica e mais especial do que o resto.
Porque de tanto canto no mundo essa é a minha ilha
mística. Um continente onde tudo é um pouco pior mas
um tanto melhor porque a gente faz ser.
Devolvam a minha terra.
Essas não são as cores da minha bandeira.
Esses não são os meus líderes e esse não é o meu
futuro.
E esses - ah, esses estão muito longe de serem meus
valores.
Devolvam a minha terra.
Essa ai não é a minha identidade.
E esses aí não fazem parte do nosso povo.
Ladrões das nossas terras!
Que nos levaram o respeito,
o que é de direito,
e a tolerância.
Já se foi quase tudo.
Só não tomem de nós
o que sobrou de esperança.
Devolvam a minha terra.

Give me back my land.
The land where I grew up with my dreams,
where I became a child and then an adult.
The floor where I dug holes for fun, sometimes
to hide a treasure, others to see the wave fill it
with sea water. Here I learned the language,
here I learned the tastes. Give me back my
land.
My house where I felt at home.
Like an imperfect father who still fills us with
pride, I would welcome those who came from
outside with a dose of cachaça and
sweetness.
Taste my land, I said.
Taste my land and see how lucky I am and
happier and more exotic and more special
than the rest. Because of so much corners in
the world this is my mystical island. A
continent where everything is a little worse but
a little better because we make so.
Give me back my land.
These are not the colours of my flag.
These are not my leaders and this is not my
future. And these - ah, those are far from being
my values. Give me back my land.
This is not my identity.
And these are not part of our people.
Thieves from our lands!
That took us the respect,
What was right,
And tolerance.
Almost everything is gone.
Just do not take us
What is left of hope.
Give me back my land.

 

  Veja Mais

Poema - objeto

estudos pictóricos de linguagem e significado, 2017

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Indio, 2016

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